sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Blog para cristãos e pessoas queiram saber um pouco mais da palavra de Deus

                               As Cartas da Prisão

A cidade de Filipos 

Ficava na Macedônia, localizava-se entre a Europa e a Ásia, uma cidade notável por suas minas de ouro. Uma colônia romana que recebeu este nome em homenagem ao rei Felipe II pai de Alexandre o Grande. Filipos hoje, atual “filibedji”. 

COMO NASCEU A COMUNIDADE DE FILIPOS

 A fundação da comunidade de Filipos aconteceu durante a segunda viagem missionária de Paulo (At 15.39-18; 22). Ele chegou por volta do ano 50, acompanhado por Silas e Timóteo. Também Lucas, autor dos Atos dos Apóstolos, já faz parte desse grupo itinerante de evangelização. De fato, a partir de At 16.10 ele começa a descrever os fatos empregando a primeira pessoa do plural, sinal de que participava da mesma missão. 
 Lucas, ao descrever as viagens de Paulo, não está interessado em fatos brutos. Em sua obra, muitos detalhes foram deixados de lado, por exemplo, o que aconteceu na primeira etapa da viagem, quando Paulo e Silas passaram pelas regiões da Galácia, fundando aí as comunidades às quais, mais tarde, será endereçada a carta aos Gálatas. 
Fundação da Igreja; At 16. Paulo tinha um plano ousado para evangelizar a Ásia, mas aprouve a Deus mudar o rumo dos seus planos. A entrada de Paulo na Europa foi orientação divina. A preocupação de Lucas é mostrar Paulo e seus companheiros abrindo novas fronteiras de evangelização, pois, com a fundação da comunidade de Filipos, uma das principais cidades da Macedônia, o Evangelho está entrando no território europeu. Esta é justamente a principal preocupação de Lucas em relação à segunda viagem missionária de Paulo.
 “Paulo e Timóteo atravessaram a Frígia e a região da Galácia, uma vez que o espírito Santo os proibira de pregar a Palavra de Deus na Ásia. Chegando perto da Mísia, eles tentaram entrar na Bitínia, mas o Espírito de Jesus os impediu. Então atravessaram a Mísia e desceram para Trôade. Durante a noite, Paulo teve uma visão: na sua frente estava de pé um macedônio que lhe suplicava: ‘Venha à Macedônia, e ajude-nos! ’ Depois dessa visão, procuramos imediatamente partir para a Macedônia, pois estávamos convencidos de que Deus acabava de nos chamar para anunciar aí a Boa Notícia” (At 16.6-10).

 UMA COMUNIDADE DE MULHERES 

 A comunidade de Filipos nasce a partir de um grupo de mulheres. Isso parece normal em nossos dias. Naquele tempo não era assim. Os judeus afirmavam que, para o surgimento de uma sinagoga lugar onde eles se reuniam para ouvir a Palavra de Deus e orar, era necessário um grupo consistente de homens, pois as mulheres não contavam. Ora, tudo leva a crer que, em Filipos, não havia sinagoga. Lucas nos diz: “No sábado, saímos além da porta da cidade para um lugar junto ao rio, onde nos parecia haver oração. Sentamo-nos e começamos a falar com as mulheres que estavam aí reunidas. Uma delas se chamava Lídia; era comerciante de púrpura, da cidade de Tiatira. Lídia acreditava em Deus e escutava com atenção. O Senhor abrira seu coração para que aderisse às palavras de Paulo. Após ter sido batizada, assim como toda a sua família, ela nos convidou: ‘Se vocês me consideram fiel ao Senhor, permaneçam em minha casa’. E nos forçou a aceitar” (At 16.13-15). Em Filipos, na casa de uma mulher que não era dessa cidade, nasce a comunidade cristã que mais alegrará Paulo em suas tribulações do Evangelho. 


• Lídia era uma empresária bem sucedida, uma mercadora, comerciante de púrpura, uma das mercadorias mais caras do mundo antigo (At 16.14-15).











CURI.OSIDADE: Na antiguidade, a cor púrpura era obtida através da secreção de alguns gêneros de moluscos do Mar Mediterrâneo denominado Murex. A púrpura designa os mais importantes e mais caros corantes da História, utilizados pelas elites, era extremamente dispendioso se obter uma pequeníssima porção desse pigmento, e isso tornava o processo bastante trabalhoso e caro.


               SOFRIMENTO E ALEGRIA
- Uma igreja fundada em meio ao sofrimento. At. 16.
- Uma igreja que produzia muita alegria. Fp 1.3
- Uma igreja que produzia muitos resultados. .Fp 1.12
- Uma igreja que contribuía com a obra missionária.
a) Em Tessalônica. Fl 4.16
b) Em Corinto II Co 11.9

c) Em Éfeso Fl 4.18

Naquele tempo era comum acreditar que a autoridade, sobretudo a pessoa do imperador, fosse a própria divindade encarnada nas pessoas. Obedecer à autoridade era, portanto, obedecer a Deus. Para Paulo e seus companheiros há um só Senhor, Jesus Cristo, o Filho de Deus, que doou toda sua vida como serviço. Ele é a verdadeira encarnação de Deus. Portanto, coisas ou pessoas que pretendem passar por Deus nada mais são do que ídolos que mantêm uma sociedade desigual e injusta.
Os Atos dos Apóstolos não relatam o conteúdo da pregação de Paulo em Filipos, pois Lucas já mostrou, ao descrever a primeira viagem, qual é a síntese da oração de Paulo (At 13.13-41). Em vez de palavras, fatos. E o acontecimento típico que provocou o conflito nessa cidade é assim descrito por Lucas:
“Estávamos indo para a oração, quando veio ao nosso encontro uma jovem escrava, que estava possuída por um espírito de adivinhação: fazia oráculos e obtinha muito lucro para seus patrões. Ela começou a seguir Paulo e a nós, gritando: ‘Esses homens são servos do Deus Altíssimo e anunciam o caminho da salvação para vocês’. Isso aconteceu durante muitos dias. Por fim, não suportando mais a situação, Paulo voltou-se e disse ao espírito: ‘Eu lhe ordeno em nome de Jesus Cristo: saia dessa mulher! ’ E o espírito saiu no mesmo instante” (At 16.16-18).

• A jovem escrava. Atos 16.18


Obs: A jovem escrava possuía um espírito de adivinhação chamado de “pitônico”, que possibilitava às pessoas fazerem oráculos e profetizar. Esse espírito pertencia ao oráculo do Templo de Delfos. Delfos era um pequeno vilarejo cujos habitantes veneravam uma antiga deusa chamada Geia, a mãe terra. A deusa Geia e seu Templo eram protegidos pela serpente Píton, que proferia oráculos e profetizava.
Uma jovem escrava, possuída por um espírito de adivinhação, a serviço dos lucros de seus patrões: aí está o retrato da sociedade filipense. Trata-se de sociedade desigual, onde uns lucram à custa da escravização dos indefesos (mulher). Esse quadro é uma miniatura do que acontece em todo o Império Romano. O culto ao imperador, que se faz passar por “Deus e Senhor”, permite à religião explorar o povo, sobretudo os fracos e pobres. E é justamente em favor desses que Paulo age, libertando, “em nome de Jesus Cristo”, os oprimidos da alienação que serve aos interesses dos patrões. Assim o Evangelho se torna Boa Notícia de libertação.
A libertação da jovem possuída por um espírito de adivinhação provocou um grande conflito na cidade de Filipos. Mais tarde, escrevendo aos tessalonicenses, Paulo e seus companheiros afirma que, por causa da Boa Notícia, foram “maltratados e insultados em Filipos” (1 Ts 2.2). A elite dessa cidade reage violentamente, usando seu poder de influência junto às autoridades e amotinando a multidão contra Paulo e Silas.
Conforme At 16.19-24, esta é a primeira vez que Paulo é posto na cadeia. Daí em diante deverá sempre contar com a possibilidade de ser preso. No fim da vida terá somado vários anos de detenção. A própria carta aos Filipenses é carta de um prisioneiro. Prendem-se as pessoas: o Evangelho, porém, não pode ser acorrentado. Lucas nos garante que Deus é mais forte que as forças opressoras e repressoras.
“E, perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam. E de repente sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram, e logo se abriram todas as portas, e foram soltas as prisões de todos. E, acordando o carcereiro, e vendo abertas as portas da prisão, tirou a espada, e quis matar-se, cuidando que os presos já tinham fugido. Mas Paulo clamou com grande voz, dizendo: Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos. E, pedindo luz, saltou dentro e, todo trêmulo, se prostrou ante Paulo e Silas. E, tirando-os para fora, disse: Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa”. (Atos 16:25-31)
Causa-nos estranheza o fato de os prisioneiros não terem fugido. Com isso aprendemos duas coisas: em primeiro lugar, Paulo e Silas são inocentes, não têm o que temer. Se há culpados nessa história, são os que prenderam. Em segundo lugar, o fato de eles não terem fugido serve de ocasião para a conversão do carcereiro, isto é, a conversão daqueles que estão a serviço do poder opressor, tirando desde poder todas as seguranças em que confiava. O Carcereiro, a partir daí, não está mais a serviço da sociedade injusta, pois aceitou ao Senhor Jesus.
Com a conversão do carcereiro surge o segundo núcleo cristão na cidade, pois todos os que pertenciam à sua família foram batizados (At 16.33). O conflito de Filipos mostra, também, que os servos de Deus precisam ser criativos e espertos, usando todos os recursos possíveis para se defender. Paulo e talvez Silas possuíam o título de cidadão romano. Quem fosse cidadão romano não podia, em todo Império, ser torturado ou preso sem antes passar por um tribunal. Paulo e Silas foram presos à revelia, sinal de que o poder opressor não leva em conta os direitos das pessoas.

• O carcereiro, cidadão romano. Atos 16.31-34